quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O que sei sobre o amor.

(Nada!) Fui consultar o que dizem sobre o Amor e, Pasmem!, não há consenso.

“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.” Não, Drummond! O Amor não é tão grande quanto o mar; muito menos cabe na cama o mar. De onde você tirou isso? Imagina se colchão é lugar apropriado para Amor se desenvolver... O amor toma dimensões desconhecidas. Eu jamais seria capaz de mensurar qualquer unidade. Amor não tem forma, massa, cheiro, cor... Amor não cabe em nada que seja específico. Não cabe na palma da mão, não cabe no chão, não cabe... É tão viscoso quanto concreto e tão abstrato quanto sólido!

“A medida do amor é amar sem medida.” Victor Hugo, até diria que você está certo se não gritasse a seguinte ressalva: Amor não se resume a amar. Aliás, eu sou contra qualquer resumo, qualquer resenha, intertextualidade. Como posso acreditar nas impressões de alguém? Eu só acredito nas experiências de meus olhos.

O Amor é incerto. Pode estar em qualquer lugar. Aqui em casa, debaixo duma ponte, no mais alto ponto da serra. Pode estar em tantos lugares que até invisível pode ser. Não acredita? Então me diz como seria viver em Marte sem Amor? Como seria viver na Lua sem Amor? Como é viver sem Amor? Quem vive sem Amor?

Qualquer um que seja capaz de defini-lo, seja por crença em experiência recente ou por frio cálculo matemático, está tão apartado quanto o óleo da água. Isso porque o Amor está no passado e não no presente. Ninguém que viva o Amor sabe que o vive. Mas quem já viveu sabe que viveu. Uma vez, duas ou quantas outras mais... Sabe! E sabe tão naturalmente quanto silenciosamente se remete às memórias boas.

O Amor é breve e não aceita mais que algumas dúzias de linhas dissertando sobre si. Por isso basta o que foi dito. Quanto ao Amor, quanto mais sabido, menos certo! Anota aí!

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